Hotel de luxo costuma vender o destino como cenário. A Sofitel Legend, marca da Accor, quer que seus hotéis ajudem a mantê-lo vivo!
No fim de outubro, a marca e a UNESCO anunciaram uma parceria de três anos para colocar a preservação do patrimônio cultural no centro da experiência de viagem. A ideia é fazer de cada hotel uma plataforma cultural e um agente da economia local. Vários Sofitel Legend ficam em lugares reconhecidos como Patrimônio Mundial ou perto deles, como o anel de canais de Amsterdã, a cidade amuralhada de Cartagena, o Casco Viejo da Cidade do Panamá e a Cidadela Imperial de Thang Long, em Hanói.
Quatro frentes de trabalho
A parceria se organiza assim:
- Artesãos e comunidades: os hotéis trabalham com artesãos, criadores e profissionais do patrimônio indicados pelas redes da UNESCO, em experiências para os hóspedes.
- Equipe que ensina: os times, a começar pelos concierges, recebem treinamento com apoio técnico da UNESCO para explicar a história, as tradições e o patrimônio vivo de cada destino.
- O hotel como vitrine: exposições, encontros com artistas e espaço para o artesanato local nas boutiques dos hotéis.
- Doação em pontos: o hóspede pode doar, se quiser, seus pontos do ALL, programa de fidelidade da Accor, para a UNESCO, pela plataforma ALL Accor Charity.
Hanói abre o caminho
O projeto começa no Sofitel Legend Metropole Hanoi, que completa 125 anos. O escritório da UNESCO em Hanói vai montar, com parceiros locais, o primeiro portfólio de experiências nos próximos meses. Três já foram apresentadas: uma jornada do café com especialistas da Trung Nguyen Coffee, a partir do café com ovo, criado no próprio hotel em 1946; meio dia na vila de cerâmica de Bat Trang, a 30 minutos da cidade, com visita guiada ao museu, almoço tradicional e oficina com um mestre ceramista; e uma visita à Cidadela Imperial de Thang Long com um especialista em patrimônio, com acesso a áreas normalmente fechadas ao público e ao trabalho de conservação arqueológica em andamento. Se o piloto der certo, o modelo será levado aos poucos aos outros Sofitel Legend, adaptado às necessidades e à identidade de cada lugar.
Muito além do monumento
A parceria inclui o patrimônio vivo, como tradições orais, artes cênicas e artesanato, e também a biodiversidade, com trabalho junto às Reservas da Biosfera da UNESCO. Para Maud Bailly, CEO da Sofitel Legend, Sofitel, MGallery e Emblems, “a hotelaria de luxo precisa ir além da hospedagem e se tornar uma verdadeira ponte entre culturas”. Julien Pellaux, diretor de parcerias da UNESCO, fala em fazer do turismo “um motor de preservação do patrimônio e de desenvolvimento local”. Não é pouca coisa: segundo a UNESCO, o turismo responde por perto de 10% do PIB mundial e sustenta mais de 300 milhões de empregos.
Viajar em busca de sentido e deixar algo de bom no lugar visitado é um movimento presente também no estudo da Mapie e do Disque 9 sobre as tendências que vão direcionar 2027.
Que aprendizado tiramos disso?
O patrimônio do destino é o ativo mais difícil de copiar. O hotel que ajuda a preservá-lo e a explicá-lo ganha uma história que nenhum concorrente reproduz, e o hóspede leva para casa uma viagem com mais significado.
- Hotéis: o concierge pode ser o primeiro guia cultural do hóspede. Treinar a equipe na história e nas tradições do lugar muda a conversa no balcão.
- Restaurantes e bares: um prato ou uma bebida com origem local, como o café com ovo de Hanói, é porta de entrada para a cultura do destino.
- Destinos e órgãos de turismo: parcerias com instituições culturais abrem acessos e experiências que o visitante não consegue sozinho.
- Agências e operadoras: roteiros com artesãos e especialistas, com mão na massa, valem mais do que a foto no atrativo turístico.
- Qualquer negócio: dar ao cliente um jeito simples de contribuir, como doar pontos, transforma fidelidade em impacto.
O seu negócio mostra o destino ou ajuda a mantê-lo vivo?
Fontes: UNESCO



