Durante décadas, as companhias aéreas mediram suas cabines premium pelas cabines de outras companhias aéreas. A British Airways escolheu outra régua: a nova suíte de primeira classe do seu Airbus A380 foi “desenhada para evocar a sensação de um hotel de luxo contemporâneo”, nas palavras da própria empresa. A suíte faz parte da reforma completa dos 12 A380 da frota, apresentada em Londres no início de outubro. São cerca de 35 mil peças trocadas por avião, em todas as classes. O primeiro avião reformado deve entrar em operação nos próximos meses, com 417 lugares, sendo 12 na primeira classe. Para Sean Doyle, presidente e CEO da companhia, é “o maior investimento individual que uma companhia aérea já fez na reconfiguração de uma aeronave”.
Privacidade e espaço para dois: a suíte tem minibar integrado, com petiscos e água durante todo o voo. Nos assentos centrais, a divisória se abre e cria uma sala de estar compartilhada, e as mesas permitem que duas pessoas jantem juntas.
O sono como produto: “sono com qualidade de hotel a 35 mil pés”. A tripulação prepara a cama com colchão, edredom de algodão e um travesseiro desenvolvido para o voo. O passageiro recebe pijama azul-marinho com o xadrez exclusivo da marca, chinelos e manta. O kit de amenidades é da Swaine, marca britânica fundada em 1750, com produtos de cuidado da Wildsmith pensados a partir do ritmo circadiano.
À mesa, como num restaurante: o cardápio ganhou a seção “From the Grill”, com carré de cordeiro e salmão grelhado com acompanhamentos e molhos à escolha. Taças do designer Richard Brendon, criadas com a especialista em vinhos Jancis Robinson, e Champagne Bollinger La Grande Année completam o serviço.
O serviço decola antes do avião: o novo cardápio passou a ser servido em 1º de outubro nos voos de longa distância, mesmo em aviões que ainda não receberam a suíte nova. A roupa de cama e o pijama estrearam no mesmo dia nos voos que saem de Londres, e o novo kit, em 6 de outubro. A tripulação da primeira classe também passou por um treinamento atualizado, para oferecer um atendimento mais personalizado e atento às preferências de cada passageiro.
Um movimento presente também no estudo da Mapie e do Disque 9 sobre as tendências que vão direcionar 2027!
Que aprendizado tiramos disso?
Quando uma companhia aérea quer entregar o máximo de conforto, ela usa o hotel como referência. É um elogio ao setor e também uma cobrança, porque o cliente vai comparar. E o caso mostra que boa parte da experiência está no serviço, que pode mudar muito antes de qualquer obra.
- Hotéis: o ritual do sono (cama, travesseiro, roupa de dormir, silêncio) é produto e pode ser apresentado como tal. Espaços que se abrem para dois ou para a família respondem a quem viaja acompanhado.
- Restaurantes e A&B: um cardápio curto, a escolha do acompanhamento e o cuidado com louça e taças dão sensação de exclusividade sem exigir uma cozinha complexa.
- Aéreas, cruzeiros e trens: o tempo de deslocamento vira parte da estada. Cama, mesa e atendimento contam tanto quanto o assento.
- Marcas e fornecedores: parcerias com marcas locais de tradição, como a BA fez com a Swaine, levam a identidade da marca para cada detalhe.
- Qualquer negócio: a reforma demora, o treinamento não. Dá para mudar a experiência com equipe, cardápio e enxoval enquanto a obra não chega.
Se um avião se inspirar no seu hotel, como seria esse produto ou serviço?
Assista ao tour na aeronave no vídeo divulgado pela companhia aqui.
Fontes: Globetrender · British Airways · TTG Media








