No restaurante do Radisson Safari Hoedspruit, na África do Sul, o cardápio mostra a pegada de carbono de cada prato. É o detalhe mais visível de algo maior: o hotel acaba de receber o selo Verified Net Zero, ou “carbono zero verificado”. Segundo o Radisson Hotel Group, é o primeiro hotel com esse selo na África.
Muitos hotéis se dizem sustentáveis, e o hóspede não tem como conferir. Aqui, o resultado é checado por uma auditoria externa, a TÜV Rheinland, com base em uma metodologia específica para hotéis. A conta vai além da energia: inclui comida, lavanderia, amenities, compras e resíduos, a chamada cadeia de valor.
A estrutura começa pela eletricidade:
- Sol no próprio hotel: parte da energia é gerada por painéis solares no local.
- Fim do combustível fóssil: a cozinha é elétrica, a água quente dos quartos vem de bombas de calor e os carrinhos e utilitários que circulam pelo hotel são elétricos.
- Eletricidade renovável comprada: o restante vem de energia renovável certificada. A partir de 2027, um contrato vai injetar energia solar na rede nacional em volume equivalente ao consumo do hotel.
O que o meio ambiente ganha com isso
Na África do Sul, cerca de 74% da eletricidade da rede ainda vem do carvão, segundo dados de janeiro de 2025 divulgados pelo governo do país. Cada quilowatt gerado pelo sol é um quilowatt a menos queimando carvão. Trocar gás e diesel por eletricidade limpa corta a emissão na origem, dentro do próprio hotel. E o efeito vai além do carbono: todo o esgoto é tratado e reutilizado em uma estação própria, as sobras de comida viram adubo em compostagem e minhocário, plástico, vidro e papel vão para reciclagem, e os amenities ficam em embalagens grandes e retornáveis. O objetivo declarado é não mandar nada para o aterro.
Que aprendizado tiramos disso?
Sustentabilidade virou algo que precisa ser provado. Quem mede, audita e mostra o resultado ao cliente ganha confiança; quem só promete corre o risco de soar como discurso e “greenwashing”.
- Hotéis: não é preciso construir do zero. Eletrificar a cozinha, a água quente e a frota interna são passos possíveis em hotéis que já funcionam.
- Eventos e corporativo: dados de emissão por hóspede ou por evento viram argumento de venda para empresas que precisam reportar a própria pegada.
- Restaurantes e bares: mostrar o carbono do prato envolve o cliente na escolha e ajuda a cozinha a rever receitas.
- Destinos e órgãos de turismo: onde a rede elétrica ainda depende de fontes fósseis, cada hotel que gera a própria energia faz diferença.
- Qualquer negócio: antes de compensar, reduzir. E deixar claro o que foi reduzido e o que foi compensado.
O seu negócio diz que é sustentável ou consegue provar?
Fontes: release do Radisson e SAnews.

